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De Nego do Borel, a Neymar a Donata Meirelles

Atualizado: 12 de Fev de 2019


Antiga forma de fofocar era restrita a pequenos grupos e com o advento das redes sociais ganha proporção internacional

Sabe aquela fofoca maliciosa de vizinhos, dos colegas da escola ou trabalho, ou do clube que antes ficava restrita a grupos locais? Pois é, com a ajuda da internet e das redes sociais a velha irmã da inveja ganhou proporções universais. Pior, isso tudo pode estar disfarçado de politicamente correto!

Em menos de um mês tenho assistido aos constantes ataques à pessoas famosas como os casos “Nego do Borel e a travesti Luisa Marilac”, a “mega festa promovida por Neymar Jr em Paris” e, o mais recente, a outra “mega festa de aniversário da diretora da Vogue Brasil, em Salvador”. Todos foram massacrados por internautas de todas as partes do país e do mundo, sendo o primeiro acusado de transfobia, o segundo por ostentação e a última, injustamente na minha opinião, de racista.

O lado positivo da internet e das redes sociais foi proporcionar às pessoas que antes não eram importantes e passaram a ter voz. O lado negativo, e perigoso, é que as redes sociais espalharam novas formas de analfabetismo bárbaro. As sociedades estão mais incultas e fanáticas, menos racionais e tolerantes.

Somos um país pobre, de baixa escolaridade, que recentemente saiu da TV aberta para as redes sociais, sem nenhuma capacidade de discernimento. Sem contar as altas taxas de analfabetismo funcional. Numa sociedade recém democratizada e com baixa escolaridade, a manipulação da informação é mais fácil de acontecer. Infelizmente, as três personalidades citadas acima – além de muitas outras - foram alvos de uma eloquente injúria popular. Não estou aqui para defender seus atos, pois cada um sabe “se” e “como” errou. E, todas elas, na sequência, tiveram a hombridade de se desculpar publicamente, justificando-se. Mas as pessoas, munidas pela internet e as redes sociais, são implacáveis. Não perdoam, não relevam, não absolvem, não procuram saber o contexto – ao contrário – e a moda agora é difamar, jogar pedra e, o que mais assusta, essa geração mimimi do politicamente correto.

Imaginem se Monteiro Lobato, Chico Anysio, Jorge Lafond, entre tantos outros artistas maravilhosos estivessem vivos? Com certeza não teríamos lido ou assistido obras primas como Sítio do Picapau Amarelo, e os personagens Painho e Vera Verão! Até os ratinhos do desenho animado Tom e Jerry, e também do Picapau, foram alvos de críticas por racismo. Grandes artistas atuais limitam suas criatividades por medo do politicamente correto.

Certas cautelas na internet são necessárias, sem dúvidas! O politicamente correto se transformou numa ferramenta de censura e constrangimento que dificulta o pensamento livre. Como argumentou o filósofo Luiz Felipe Pondé, “o mimimi é fruto do ressentimento. O politicamente correto tem uma raiz na existência humana de exclusão. Porém, é uma farsa institucional que serve normalmente para destruir carreiras, inviabilizar o debate público, além de uma farsa que se propõem tomar o lugar da educação doméstica”.

Se há uma coisa que não devemos permitir é a perversão da linguagem. Quando não podemos mais usar os conceitos e as formas com seus verdadeiros significados porque as pessoas os pervertem, seja por ignorância ou má intenção, estamos nos submetendo à ditadura do politicamente correto, o caminho mais rápido para o fim da civilização.

É importante lembrar que liberdade de expressão não quer dizer que uma pessoa pode sair por aí ofendendo as outras. Não apenas atentam contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos e contra a Constituição Federal, mas também contra a essência do estado democrático de direito, em que as opiniões divergentes são dignas de igual respeito.

Vivemos em um momento histórico, no qual a intolerância e o discurso do ódio conquistam cada vez mais adeptos, como mostra o Dossiê das Intolerâncias nas Redes, realizado pela agência de comunicação Nova/SB, que monitorou e classificou em 10 tipos diferentes de intolerância nas redes entre os meses de julho e setembro de 2017: em relação à aparência das pessoas, às classes sociais, às deficiências, homofobia, misoginia, política, idade/geração, racismo, religião e xenofobia. Ao todo, só no Brasil, foram mais de 220 mil menções sobre os tipos de intolerância pesquisados, o que já é um número alto.

A intolerância nas redes é resultado direto de desigualdades, preconceitos sociais em geral e, principalmente, desinformação - não é uma invenção da internet. O que ocorre é que o ambiente em rede facilita que cada um solte seus demônios, ao dar a sensação de um pretenso anonimato. O mundo virtual é, portanto, mais uma forma para que os intolerantes se manifestem e ampliem o seu alcance.

Na era das redes sociais é certo que determinadas pessoas não fazem um bom uso dos poderes que lhes são conferidos, no entanto e certamente durante o seu percurso de vida seguramente contribuíram com coisas positivas.

Ao jogar pedras em Nego do Borel, Neymar, Donata Meirelles e até neste humilde jornalista, você colabora para esse fanatismo de desinformação e notícias falsas. Evidente que as três personalidades citadas, muito menos a mim, talvez não retribuam as pedras. Porém, como todo o teto é de vidro, seus seguidores (expectadores maliciosos) também o farão em relação aos seus pequenos ou grandes deslizes. Somos humanos e estamos suscetíveis a erros e acertos. O que nos diferencia do animal é justamente a racionalidade. Adriano Vianini é jornalista e publicitário, diretor da AV+ Comunicação e Marketing digital com escritórios em São Paulo e Minas Gerais, e editor-chefe da revista Mais Vertentes. #opiniao #redessociais #politicamentecorreto #desinformacao #intolerancia #nternet #negodoborel #neymar #donatameireles #adrianovianini #avmaiscomunicacao #maisvertentes


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